Arcade Fire – Everything Now (2017)

Arcade-Fire-everything-now-tracklisting

Existe certo consenso de que uma opinião só deveria ser emitida após o conhecimento do objeto de estudo. Compartilhando dessa ideia, ouvir o novo álbum do Arcade Fire, intitulado Everything Now, nas suas 10 faixas foi uma grande, mas não tão agradável, surpresa. Após quase 4 anos de Reflektor, Everything Now traz a nova fase do Arcade Fire. Quem já escuta a banda há algum tempo sabe bem que cada lançamento deles é (aos moldes do seu principal mentor, David Bowie) uma realização, isto é, vem com uma temática distinta das anteriores, é precedida por certo hype e acompanhada por mudanças não somente na sonoridade, mas até no figurino, cenário dos shows e instrumentos usados pela banda ou modo de se portar em entrevistas.

Nesta jornada de descobertas dos canadentes Everything Now é a fase dance da banda. Ainda que a execução do Arcade Fire seja, na minha opinião, mais equilibrada que outras desastrosas tentativas neste caminho (por exemplo, Jake Bugg, Kasabian e Franz Ferdinand) o som deste álbum é muito ingênuo no seu otimismo sem conteúdo, ainda mais para quem se acostumou com Funeral ou Suburbs (outros álbuns deles), que além da sonoridade mais intimista tratou de temas universais como a nostalgia da felicidade na infância e as escolhas que fizemos e seus impactos para uma vida toda.

Mas não está no ritmo – até certo ponto banal para uma banda que sempre inovou (em certos momentos deste novo álbum lembramos mais de ABBA ou Shania Twain que do Arcade Fire) –  a razão que faz deste disco uma obra dispensável: atrás de toda a preocupação por “fazer algo diferente”, de causar impacto no mundo com um ritmo quase que motivacional inserido num contexto mundial de instabilidade política, o Arcade Fire se esqueceu da sua maior qualidade: as letras que sustentavam sua ideologia. Everything Now é, em última análise, uma obra vazia de letras desconexas (se não fosse pela melodia semelhante nem seria possível dizer que eram do mesmo disco). Um experimento que atrás de toda a pesada maquiagem ideológica e de distorções eletrônicas é esquecido por quem escuta em pouco tempo.

Anúncios

Os melhores discos de 2013 – A lista

Pra ser sincero, listas de final de ano sempre tentam em alguns caracteres resumir tudo o que aconteceu no ano em determinada categoria/segmento. Obviamente, injustiças são cometidas devido a necessidade/limitações do poder de síntese de cada um.

No quesito música, esse post quer discutir e lhe trazer a pergunta: qual foi (ou, foram) o melhor disco do ano? Para mim, embora a resposta não tenha sido fácil, foi oportuna a reflexão sobre o que aconteceu no ano e elaborar a lista do TOP 5 (que poderia ser top 10, 20 ou 30, tranquilamente) dos disco de 2013:

=

5º – …Like Clockwork de Queens of Stone Age

A lista do top 5 inicia pelo Queens of Stone Age (ficaram de fora outras tantas opções, com menções honrosas ao Daft Punk, Palma Violet, Boards of Canada, Peace e os estreantes do Disclosure), mas a banda norte-americana do Queens of… (QOTSA) se sobressaiu, pois manteve uma impressionante consistência em todas as faixas dos disco (para mim, o melhor da banda). Com colaborações de Dave Grohl, Elton John e Trent Reznor, as canções são uma leitura excelente do que pode ser o grunge de hoje, sem modismos ou preso na nostalgia dos anos 1990, com um significado próprio, uma ode ao bom rock ‘n roll.

 =

4º – The Next Day de David Bowie

A volta do ícone das décadas 80 e 90, David Bowie, talvez tenha sido o acontecimento musical do ano. Dado como doente e recluso pela mídia, eis que Bowie lança um álbum de inéditas quase 20 anos depois das suas últimas composições. Mas, o que aconteceu com o roqueiro nesses anos? Se procurarmos respostas nas suas canções de The Next Day, saberemos que a jovialidade (de Starman, por exemplo) se foi, mas o que ficou foi um artista ainda questionador sobre seu papel no mundo e qual o seu impacto na vida dos demais. Quase  um disco biográfico, que faz um  balanço das conquistas, o disco começa alegre e vai se tornando introspectivo, omitindo refrões ou rimas fáceis.

 =

3º – AM do Arctic Monkeys

Para os que acreditavam que o destino do Arctic Monkeys estava fadado às coleções “Greatest Hits” (eu inclusive), o disco AM de 2013, mostrou o poder de inovação que a banda ainda esconde. Especialmente na primeira metade do álbum, o grupo converge uma energia única no segmento rock, com melodias empolgantes como R U Mine e Do you wanna know?, imbatíveis tanto para transformar qualquer ambiente numa festa. Embora a segunda metade do disco quase coloque tudo a perder, na soma das virtudes, a qualidade e a representatividade do disco se sobressaem.

 =

2º – Reflektor  do Arcade Fire

Sempre ousado, o grupo canadense desta vez traz um disco rodeado de temas políticos (especialmente a miséria e condições econômicas do Haiti e América Central), distanciando-se do tom mais jovial e alegre que seu trabalho anterior, de 2009, apresentou. Em Reflektor, a banda apresenta sua maturidade musical, combinando questões existenciais (a vida após a morte?) e ritmos envolventes. É acima de tudo, uma obra bem montada, um disco que tem evolução clara e que desempenha um papel fundamental na musica contemporânea.

 =

1º – Modern Vampires of the City do Vampire Weekend

Assim como o disco Is this it (2001), do Strokes, que marcou a década que se iniciava, o disco do Vampire Weekend (2013) dita a personalidade da música para, no mínimo, 5 cinco anos. E não se limita ao estilo rock. Neste álbum do Vampire Weekend, a banda encontra um aspecto humano nas suas letras e melodias, raro na cena musical atual. Oscilando composições aceleradas e canções despretensiosas, este é o álbum que melhor caracteriza o ano e a sociedade em que vivemos. Apesar deste discurso altamente filosófico, o disco consegue ser (além de tudo) uma alegre combinação para um dia depressivo.

=

* E então, você concorda com a lista ou tem preferências diferentes?

** Notaram a ausência de discos nacionais? Pois então, eu também.