A Forma da Água (2017) – Universal, atemporal

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Famigerada é a preferência e hábito do diretor Guillermo Del Toro em usar criaturas mágicas, não convencionais ou místicas fora de seu habitat, rodeadas por humanos. Independente da época da história são eles (humanos) em sua maioria, arrogantes, convencidos de sua superioridade e medrosos com o desconhecido. A Forma da Água (The Shape of Water), um dos favoritos aos prêmios da temporada é uma nova incursão do cineasta mexicano nesta temática e é, desde O Labirinto do Fauno, seu melhor trabalho.

Numa ambientação primordial dos primeiros anos da Guerra Fria – da guerra por conhecimento científico e militar entre Estados Unidos e União Soviética – com destaque a trilha sonora e principalmente ao melhor design de produção do ano, a criatura interpretada por Doug Jones encontra na personagem de Sally Hawkins a genuína expressão de bondade e solidão, combinação que resulta em amor, carnal e fraternal entre ambos.

Numa precipitada interpretação esta é uma sinopse comum a várias centenas de filmes; então, o que faz A Forma da Água se sobressair?  Os detalhes e a ironia, no passageiro com um bolo no ônibus, na forma como a rotina é filmada ou na recorrente gelatina verde; no roteiro de Del Toro que nos faz acreditar que a vida da personagem de Hawkins a conduziu para àquele momento e que ainda no meio disso fala de racismo e homofobia sutil e habilmente; e, claro, na atuação da protagonista, que sem dizer uma palavra converge em expressão e ações a transformação da timidez e solidão em aventura e felicidade. Uma história convencional no seu núcleo que se torna grande não pelos efeitos especiais ou por retratar amor a uma criatura marítima (afinal, a analogia óbvia é que deslocados da sociedade, todos podemos ser ela em algum momento da vida) mas sim pela habilidade em falar de temas simples e universais.

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I, Tonya (2017) – Não pesquise, assista !

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Saber o mínimo possível de um filme antes de assisti-lo é o estilo de espectador em que eu me enquadro. Se vale a pena evitar ler notícias a respeito ou assistir trailers antes do filme em si? Normalmente, sim. Mas em “I, Tonya” a condição é ainda superada e obtive uma das mais fantásticas experiências cinematográficas graças a isso.

Sabendo apenas que se trata um filme que está no radar das premiações desta temporada 2017/2018 e com uma provável indicação a melhor atriz para Margot Robbie no Oscar – além de chances reais de vitória – e que o enredo é centrado na história de uma patinadora no gelo chamada Tonya Harding,  em praticamente 2 horas o filme brinca com este desconhecimento te deixando por vezes na certeza de que se trata de uma história real, mas na maior parte do filme racionalizando de que tudo faz parte de um grande roteiro de ficção com os mesmos atores dos personagens se passando pelas pessoas reais, numa livre a associação aos “falsos documentários”, como na série The Office. Ao final do filme, graças a uma brilhante edição ágil, conhecemos a verdade (assista ou procure em outro review pois não comentarei se é uma história real ou não).

Além disso, emoldurada sob a face de um drama de competição esportiva de alto nível (com espaço para as Olímpiadas) e todas as consequências de um ambiente competitivo, aos poucos o filme ganha seus contornos de comédia e certo humor negro, graças aos atores coadjuvantes e seus histórias surreais (destaque para o personagem Shawn de Paul Walter Hauser) e a leveza da atuação de Margot Robbie e simplicidade das suas falas. Assim, inevitável é a comparação com uma história dos irmãos Coen (Irmão, Cadê Você? ou Fargo) e precisas são as abordagens de uma realidade preconceituosa dos chamados whitetrashs nos EUA (neste caso, do estado do Oregon).

Sem revelar muito mais do filme, é notório que uma comédia – ainda mais como esta – inicialmente não tenha o mesmo apreço como um drama complexo e profundo, mas tenho a certeza que com o passar dos anos será inevitável não relaciona-la em qualquer lista dos melhores filmes de 2017 (a exemplo da maior parte dos filmes dos Coen ou do mais recente A Grande Aposta). Assistir um filme sem saber nada dele, aceita o desafio? Se a resposta for sim, I, Tonya é o melhor ponto de partida.

Os meus (melhores) discos de 2017

One more year. Many more songs.

Como tradição, ainda que recente, apresento minha compilação de discos favoritos do ano; um ano em que foi difícil destacar algum álbum como muito superior aos demais (diferentemente do que, na minha opinião, ocorreu em 2016, 2015 e 2014), mas que ao contrário de 99% das listas de outros sites e publicações especializadas não tem Kendrick Lamar. Por isso, o  top 5 dos meus favoritos não está ordenado.

 

The War On Drugs,A Deeper Understanding” – a cada disco o grupo liderado por Adam Granduciel melhora e fica mais difícil evitar a comparação com as fases iniciais da carreira de Bruce Springsteen. Espirituosos e inteligentes, o rock que não se prende a um subgênero e constrói nesse álbum um evolução de sons, música a música. Para ouvir no modo repeat.

Sampha, “Process” – conceitual, meditativo, uma dose de Bon Iver e uma obra de R&B/soul difícil de categorizar e fácil de ouvir de olhos fechados e com pensamentos bem longe.

Queens of the Stoneage, “Villains” – um disco para embalar e enviar como presente para aqueles que insistem em repetir a velha (e cansativa) falácia de que o rock morreu. O melhor disco do gênero, com todos elementos que um apreciador de rock espera.

Courtnet Barnnet & Kurt Vile, “Lotta Sea Lice” – quando dois dos teus cantores favoritos dos últimos anos se juntam a chance de sucesso é grande. Assim foi essa parceria entre aquela que fez o melhor disco de 2015 com o ex-Sonic Youth. Em sons que trazem uma necessidade urgente de buscar um lugar para descansar e refletir, eis o melhor disco de indie rock do ano.

Lorde, “Melodrama” – certamente o disco “pop” do ano. Qualidade na produção, originalidade no ritmo e uma raiva bem dosada nas letras e vocal da cantora.

Além destes 5 discos, alguns outros também merecem reconhecimento: Masseduction (St. Vincent), I See You (The XX), American Dream (LCD Soundsystem) e, se você gosta de ouvir músicas em francês, o excelente Rest da Charlotte Gainsbourg.

 

No cenário nacional destaque para o veterano, que agora em carreira solo, fez um dos melhores discos:

 – Paulo Miklos, “A Gente Mora no Agora”

 

 

Star Wars VIII – (Não são) Os Últimos Jedi

*(COM SPOILERS SOBRE ACONTECIMENTOS DO FILME)

Disruptivo é uma palavra que, embora não seja habitualmente dita no português cotidiano aparece como mania de jornalistas e redatores que teimam em usa-la até a banalização de algo que, segundo o dicionário, deriva de “partir, despedaçar, rasgar, romper, destruir”, a ser usado para grandes mudanças. No entanto, falar de Star Wars em seu episódio VIII, “Os Últimos Jedi”, é obrigatoriamente associa-lo a uma grande mudança nos rumos da série de filmes.

Star Wars – Os Últimos Jedi é a continuação imediata de O Despertar da Força, seguindo mais uma vez a luta da Resistência comandada pela general Leia contra a Primeira Ordem de Snoke. Trocam-se os nomes dos grupos de poder (Aliança, Rebeldes, Império, República e tantos outros que já passaram pelos 7 filmes anteriores) mas a dinâmica ainda é a mesma: um pequeno mas valente grupo de pessoas lutando contra um poder ditatorial na galáxia. No entanto, nesta obra de 2017, dirigida pelo competente Rian Johnson (de Breaking Bad e Looper) o grupo dos mocinhos se reduz ao menor número de combatentes que já se viu em Star Wars e o lado sombrio, pela primeira vez, passa a ser liderado por um guerreiro Ex-Jedi, Kylo Ren que, numa cena surpreendente, mata o líder da Primeira Ordem. Começam aí as diferenças e os motivos para o episódio VIII ser um game changer.

No entanto, a mudança mais drástica na mitologia da série e que tem causado a revolta dos fãs de longa data dos filmes é a desmistificação dos Jedi. Através das falas de Luke Skywalker (Mark Hamil em sua melhor atuação em Star Wars) somos convidados a enxergar melhor a contribuição dos Jedis ao longo da história: praticamente nula. Uma Ordem vaidosa pelo poder da Força que esteve sempre além dos interesses da população e, quando lutou por liberdade foi para sua auto preservação – que se não falhou, chegou muito perto pois apenas Luke remanesceu. Além disso, a descoberta mais impactante e que alimentava teorias em fóruns e blogs foi a da real descendência de Rey: muito diferente do que se romantizava Rey não é filha de Luke ou Leia ou nenhum personagem heroico dos filmes, e sim de pessoas “comuns” e pobres que a venderam como mercadoria ainda na infância.

Uma das maiores místicas de Star Wars, a descendência Skywalker (Anakyn, Vader, Luke, Leia) como fonte de poder está desfeita. Tão importante é esta abordagem para seus realizadores que a cena final chega a ser redundante no tema ao mostrar uma criança qualquer num planeta desconhecido com indícios do poder da Força. Ocorre que o Último Jedi – como conhecíamos a Ordem – foi Luke, mas os Jedis ainda serão a força motriz da liberdade, porém vindos de classes sociais e locais distintos da galáxia, assim como Rey.

Fundamental também na construção deste novo capítulo é o personagem de Finn, que com bons diálogos e atuação de John Boyega, confirma um senso de heroísmo aliado ao humor e carisma diferentes de Han Solo (Harison Ford) mas igualmente importante para que o filme seja um bom entretenimento. Rian Johnson acerta também nos elementos de humor, vindos especialmente das criaturas da ilha onde Luke se refugiou e cria, nos porgs, por exemplo, tudo que George Lucas falhou com Jar Jar Banks. Outro ponto a se considerar no trabalho de Johnson é a preocupação estética: se em O Despertar da Força JJ Abrams preocupou-se mais em destacar o clima de ação e aventura em cenas de perseguição e fugas no espaço, Johnson dá atenção especial a montagem, como nas cenas que telepaticamente Kylo Ren e Rey conversam ou no design de produção, exemplificado pelo perfeccionismo da batalha nos campos de gelo e sal em que os veículos e armas deixam no seu rastro um impressionante mosaico vermelho no terreno.

O último e derradeiro elemento desta obra disruptiva é o fim da trilogia original (episódios IV, V e VI) nesta nova, marcado pela morte de Luke e Leia, esta última a ser antecipada devido ao falecimento da atriz Carrie Fischer em 2016. Ainda que Luke e Leia apareçam em flashes como Yoda neste episódio VIII, Star Wars não é mais uma terra dos Skywalker antigos ou dos egoístas Jedis de outra época ou das ações militares pela busca de poder sem considerar diretamente o impacto às pessoas comuns daquele mundo. É com essa mudança que Star Wars VIII pode ter desagradado fãs antigos mas ganhará as futuras gerações e permitirá a Disney a realização de mais episódios da saga.

Arcade Fire – Everything Now (2017)

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Existe certo consenso de que uma opinião só deveria ser emitida após o conhecimento do objeto de estudo. Compartilhando dessa ideia, ouvir o novo álbum do Arcade Fire, intitulado Everything Now, nas suas 10 faixas foi uma grande, mas não tão agradável, surpresa. Após quase 4 anos de Reflektor, Everything Now traz a nova fase do Arcade Fire. Quem já escuta a banda há algum tempo sabe bem que cada lançamento deles é (aos moldes do seu principal mentor, David Bowie) uma realização, isto é, vem com uma temática distinta das anteriores, é precedida por certo hype e acompanhada por mudanças não somente na sonoridade, mas até no figurino, cenário dos shows e instrumentos usados pela banda ou modo de se portar em entrevistas.

Nesta jornada de descobertas dos canadentes Everything Now é a fase dance da banda. Ainda que a execução do Arcade Fire seja, na minha opinião, mais equilibrada que outras desastrosas tentativas neste caminho (por exemplo, Jake Bugg, Kasabian e Franz Ferdinand) o som deste álbum é muito ingênuo no seu otimismo sem conteúdo, ainda mais para quem se acostumou com Funeral ou Suburbs (outros álbuns deles), que além da sonoridade mais intimista tratou de temas universais como a nostalgia da felicidade na infância e as escolhas que fizemos e seus impactos para uma vida toda.

Mas não está no ritmo – até certo ponto banal para uma banda que sempre inovou (em certos momentos deste novo álbum lembramos mais de ABBA ou Shania Twain que do Arcade Fire) –  a razão que faz deste disco uma obra dispensável: atrás de toda a preocupação por “fazer algo diferente”, de causar impacto no mundo com um ritmo quase que motivacional inserido num contexto mundial de instabilidade política, o Arcade Fire se esqueceu da sua maior qualidade: as letras que sustentavam sua ideologia. Everything Now é, em última análise, uma obra vazia de letras desconexas (se não fosse pela melodia semelhante nem seria possível dizer que eram do mesmo disco). Um experimento que atrás de toda a pesada maquiagem ideológica e de distorções eletrônicas é esquecido por quem escuta em pouco tempo.

Trainspotting 2 (2017) – Quando a mesma fórmula não garante os mesmos resultados

 

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O mundo mudou em 20 anos. Não tanto quanto um dia imaginamos que duas décadas fariam de diferença ao mundo e muito menos, nem perto do que 20 anos representam na vida da Terra ou nos hábitos primitivos da nossa espécie – alguns, mesmo depois de milênios, continuam praticamente inalterados. Mas, de certa forma, mudou como sempre muda: com pequenos avanços tecnológicos e, principalmente, com as pessoas envelhecendo e o eterno ciclo de quem era jovem ficando velho e esta mudança natural trazendo momentos de nostalgia e arrependimentos.

É exatamente neste contexto que a sequência do Trainspotting de 1996 chegou aos cinemas neste ano. Trazendo seu núcleo principal de protagonistas (Ewan McGregor, Robert Carlyle, Ewen Bremner e Jonny Lee Miller) novamente na mesma Escócia do filme original e sob a mesma direção de Danny Boyle, assistimos em 2 horas uma ode à nostalgia da juventude do quarteto. Todos envelheceram e suas escolhas da juventude ainda repercutem no presente. Com uma série de referências ao filme de 96 em diálogos, conflitos ou rimas estéticas, está aí o primeiro ponto crucial do filme: se você decidiu assisti-lo sem conhecer o Trainspotting original provavelmente entenderá pouco da história e com grandes chances de sequer terminar de assistir este. O roteiro passa a ser vinculado a história original e praticamente tudo orbita em torno da decisão do personagem de Ewan McGregor de fugir com a parte dos seus amigos do dinheiro que eles roubam.

Mas este mote não é o problema do filme, afinal, grandes westerns foram construídos baseados na premissa de uma vingança oriunda de trapaças com dinheiro. Ocorre é que fora isso o filme não consegue desenvolver uma história convincente e a partir de certo ponto, parece que até os atores reconhecem isso e estão tão impacientes quanto o espectador para que o filme termine. Existe uma tentativa de história neste roteiro, que é a da reunião dos 3 (McGregor, Bremner e Miller) para construir e administrar um bordel, mas da forma como isso é conduzido em nenhum momento acreditamos que isso possa acontecer ou que tenha relevância. Além disso, a psicopatia do personagem de Robert Carlyle (Begbie) o faz ser temido pelos demais 3 parceiros e velhos amigos, mas embora ela quase chegue a níveis Alex DeLarge em Laranja Mecânica, é pouco verossímil que três homens mais novos, unidos, de bom porte físico e pouco a perder na vida, se esquivem tão pateticamente dele.

Embora estes pontos sejam cruciais e, na minha opinião, definidores de que seria melhor ter ficado com a lembrança de Ewan McGregor numa overdose de heroína ao som de Lou Reed (Perfect Day), o filme de 2017 tem alguns bons momentos. Entre eles, a melhor cena do filme, a explicação sincera do que é o Choose Life, que você pode ver no vídeo abaixo. No fim, temos um filme de oscilações entre alguns bons e sarcásticos momentos num emaranhado de referências ao filme de 1996 e uma história fraca que se preocupa em dar um tom exagerado no caráter determinista a vida, pois mesmo que o presente seja uma inevitável consequência dos nossos atos passados, viver num ritmo de c’est la vie, é um belo desperdício de tempo.

 

 

O Sal da Terra (2014)

Se uma boa redação precisa de um excelente título, um bom filme também começa a ter sua qualidade apreciada já no título. Quando o título de um filme resume com excepcional habilidade as suas ideias centrais é um belo indício que, ao menos, ele tem coesão. E esta qualidade é uma das predominantes em O Sal da Terra, documentário de 2014 que apresenta a vida do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado através da sua obra.

Dirigido e produzido pelo cineasta alemão Wim Wenders em parceria com Juliano Salgado (filho de Sebastião), O Sal da Terra é um documentário (acertadamente indicado ao Oscar) que une as várias fases da carreira do famigerado protagonista através desta simples mas brilhante constatação: o que faz diferença para o mundo (o sal ou “tempero” dele) são – sempre foram e serão – as pessoas. Essa constatação, embora de uma obviedade gigante, através da utilização das fotos, resultado uma vida de expedições pela América Latina, Leste Europeu e África, entre outros, culmina na visualização das experiências do fotógrafo e vai além do que meros relatos escritos sobre a natureza humana nos 4 cantos da terra poderiam produzir.

Enquanto você lê este texto é perfeitamente provável que no planeta, por exemplo, existem pessoas experimentando suas maiores felicidades ou tristezas da vida, desempenhando rotinas ou hábitos que nunca vimos ou soubemos, ou com preocupações que para você (ou eu) não fazem sentido. Por mais polarizados e distintos que sejam nossos hábitos e locais por onde passamos, a vida ordinariamente nos limita a realidade que nos cerca (afinal, recursos como o tempo são finitos e a imprevisibilidade da raça humana, não), e com isso acabamos tendo a noção e percepção mais viva somente daquilo que faz parte da nossa realidade. São experiências como as de Salgado em O Sal da Terra, documentadas através da fotografia preto-e-branco, imparciais e impessoais, que servem de combustível para mostrar que o mundo sempre é maior do que o imaginávamos no instante anterior (apenas isto, sem o mérito de ser melhor ou pior, e toda a subjetividade carregada neste tipo de análise) .

(Melhor e mais prudente do que falar especificamente das obras de Sebastião Salgado é observá-las e, por isso, algumas estão na sequência abaixo neste post).

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