Dose dupla: Clube dos Vândalos e Furiosa

Dois grandes e aguardados filmes, por motivos distintos, chegaram aos cinemas e streamings nesse ano. Embora tenham temáticas diferentes, tem mais semelhanças de resultado que seus idealizadores imaginaram.

O primeiro, Clube dos Vândalos (Bikeriders) é a versão cinematográfica de uma história do final da década de 60 que um repórter fotográfico acompanhou em Chicago: do início a decadência de um dos mais tradicionais grupos de motociclistas dos Estados Unidos, unificando em pouco mais de 120 minutos todo o estereótipo de motociclistas que Hollywood já incutiu em nossas mentes – grupo de homens, transgressores, sem preocupação com rotina.

Clube dos Vândalos é dirigido por Jeff Nichols, um diretor que no início de sua carreira trouxe gemas preciosas como Amor Bandido (Mud) e O Abrigo (Take Shelter) carregando em seu estilo uma competência em mostrar sensibilidade como pano de fundo que amarra histórias de sucessão de grandes acontecimentos e feitos, mas cujos últimos filmes caíram num sentimento de preguiça, de deixar a história “correr solta” e não ser coesa.

Neste mais recente trabalho, Nichols segue, infelizmente a linha dos seus últimos filmes. Consegue a proeza de reunir um elenco talentoso, como Tom Hardy, Austin Butler e Michael Shannon e entregar um filme medíocre, pois é visível que a história podia (e pedia) mais, mas que parou e não fluiu pelas mãos do diretor. Argumentos e desconexos, falta de foco na história ao não decidir quem é o protagonista contribuem para que ela seja desinteressante. Se isso se deve a qualidade do material original (fotografias e entrevistas da época) não sabemos, mas o cinema pressupõe que a história precisa saber aonde quer chegar.

Já o novo capítulo da franquia Mad Max, intitulado Furiosa, nome da teoricamente protagonista do filme falha em algo parecido com o supracitado Clube dos Vândalos. Furiosa chegou aos cinemas com uma grande expectativa após o sucesso (de crítica e bilheterias) de Estrada da Fúria de 2015. Na obra de 2024, também dirigida por George Miller, o que menos enxergamos é o protagonismo de Furiosa, interpretada por uma esforçada  Anya Taylor-Joy, pois após um prólogo bem estruturado com uma duração maior que deveria, a personagem principal é alçada a um status de coadjuvante  que destoa pontualmente em situações de perigo, mas que o grande condutor da história é o grande tempo de tela que o diretor investe em querer explicar as relações de poder daquele universo de distopia, quem controla o quê, como é feito o comércio. Chega-se num ponto que parece estarmos sendo apresentados mais a uma análise de macroeconomia do “Mundo Mad Max” que de uma história de construção de personagem e empoderamento feminino (sim, não é possível esquecer da brilhante performance de no filme de Charlize Theron como Furiosa, já adulta, no filme de 2015 e sua contribuição em trazer à mesa a valorização do protagonismo feminino).

No apagar das luzes e créditos finais, ambos os filmes parecem uma centelha do que poderia ter sido com outros rumos de suas direções.

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