8 Mile – Rua das Ilusões

Embalado pela descoberta do novo álbum de estúdio de Eminem (The Death of Slim Shady – Coup de Grâce) e fascinado pela qualidade de rimas, letras e melodias que o artista ainda encontra, mais de 20 anos desde sua fama mundial, fui reparar uma dívida cinematográfica antiga: assistir a 8 Mile – Rua das Ilusões, o filme ficcional mas ainda assim autobiográfico do início da carreira de Marshall Bruce Mathers III, o Eminem, lançado em 2002. Se já o conhecemos pelo que as letras de suas músicas revelam, da sua relação conturbada com a mãe, com a ex mulher e depois com a filha, o filme é uma surpresa em diversas circunstâncias.

A primeira delas é a delimitação da trama, que ocorre em um ritmo muito bom e abrange pouco mais de uma semana da vida do rapper Jimmy Rabbit. No entanto, o roteiro parece ser feito para elevar a classificação etária do filme, deixando de lado aspectos mais sombrios que o próprio Eminem canta em suas letras. A violência e as drogas, por exemplo, passam mais taciturnas no filme. Além disso, a escolha de ser focado num período de anonimato do jovem que sabia rimar e tinha sonho de gravar uma demo para mostrar a uma gravadora é curiosa no seu final, que embora seja “feliz” evita um clichê de já mostrar o estrelato do rapper, evidenciando que mesmo tendo ganhado uma pequena competição de rimas na sua cidade ainda teria muitos desafios pela frente, sendo o primeiro voltar para o trabalho numa indústria ainda naquela noite.

O filme embora tenha pequenos problemas de direção, na minha opinião, se sobressai especialmente pela sua melhor qualidade: as atuações. Do próprio Eminem a todos amigos e rivais de batalha rap, há uma coesão e brilhantismo em atuações que não precisam serem espalhafatosas para serem marcantes e poderosas.

Para encerrar um post sobre um filme que fala de música: Lose Yourself, a composição que deu o Oscar ao Eminem em 2003, mas cuja apresentação que aconteceu apenas na cerimônia de 2020:

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