Engrenagens

Tantas são as engrenagens que regem o mundo, e nem as percebemos — a ponto de que, se uma simples peça sair do lugar, o mundo muda drasticamente. Pode parecer propaganda de canal de notícias ou discurso pré-fabricado; depende de como você interpreta. Meu convite é para uma pequena pausa, um suspiro trabalhado em reflexão.

Na última semana, a notícia de um vazamento de combustível em uma vizinhança próxima ao meu lar ganhou algumas manchetes e alterou a rotina do entorno. Alguns moradores tiveram que deixar suas casas por precaução; outros permaneceram em estado de alerta, e os empregados do posto de combustível devem estar se perguntando quando poderão voltar ao trabalho. A mesma rotina de sempre, com algo levemente fora do esperado.

Talvez a situação mais universalmente ilustrativa nos dias de hoje é ficarmos sem conexão com a internet e/ou sem energia elétrica. Sem entrar nos lugares-comuns já amplamente explorados, não se pode negar que não é apenas o funcionamento dos eletrônicos e equipamentos que muda — é o nosso funcionamento também. No aspecto biológico dos seres vivos, a complexidade é ainda maior do que uma simples interrupção no sinal de internet. O professor Clóvis de Barros, em um recente podcast, já dizia que um simples cisco no olho nos torna inoperantes.

Há muita vida e muitas coisas acontecendo o tempo todo, ao mesmo tempo, para que, às vezes, tudo pareça não estar acontecendo — no universo, ao nosso redor e dentro de nós. Diante de cada oportunidade em que algo sai da normalidade e da previsibilidade, antes de pensar no que fazer, ajuda e tranquiliza muito lembrar da complexidade presente nesse emaranhado. Por outro lado, quando coisas boas — daquelas que você não esperava tiram o fôlego ou causam frio na barriga — acontecem, também vale (e muito) lembrar que houve uma sucessão de complexidades que foram superadas para que elas se realizassem.

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