A Forma da Água (2017) – Universal, atemporal

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Famigerada é a preferência e hábito do diretor Guillermo Del Toro em usar criaturas mágicas, não convencionais ou místicas fora de seu habitat, rodeadas por humanos. Independente da época da história são eles (humanos) em sua maioria, arrogantes, convencidos de sua superioridade e medrosos com o desconhecido. A Forma da Água (The Shape of Water), um dos favoritos aos prêmios da temporada é uma nova incursão do cineasta mexicano nesta temática e é, desde O Labirinto do Fauno, seu melhor trabalho.

Numa ambientação primordial dos primeiros anos da Guerra Fria – da guerra por conhecimento científico e militar entre Estados Unidos e União Soviética – com destaque a trilha sonora e principalmente ao melhor design de produção do ano, a criatura interpretada por Doug Jones encontra na personagem de Sally Hawkins a genuína expressão de bondade e solidão, combinação que resulta em amor, carnal e fraternal entre ambos.

Numa precipitada interpretação esta é uma sinopse comum a várias centenas de filmes; então, o que faz A Forma da Água se sobressair?  Os detalhes e a ironia, no passageiro com um bolo no ônibus, na forma como a rotina é filmada ou na recorrente gelatina verde; no roteiro de Del Toro que nos faz acreditar que a vida da personagem de Hawkins a conduziu para àquele momento e que ainda no meio disso fala de racismo e homofobia sutil e habilmente; e, claro, na atuação da protagonista, que sem dizer uma palavra converge em expressão e ações a transformação da timidez e solidão em aventura e felicidade. Uma história convencional no seu núcleo que se torna grande não pelos efeitos especiais ou por retratar amor a uma criatura marítima (afinal, a analogia óbvia é que deslocados da sociedade, todos podemos ser ela em algum momento da vida) mas sim pela habilidade em falar de temas simples e universais.

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Àquele que nos fez rir: Adeus a um gênio

Um gênio da atuação morreu hoje.

Gene Wilder morreu hoje.

Escrevo esse post com a sensação que deveria ter vindo antes, não apenas em homenagem póstuma ao grande ator norte-americano. A carreira de Wilder foi de grandes (sempre memoráveis) atuações. E, se hoje, ele é lembrado muito mais pelo seu Willy Wonka da Fantástica Fábrica de Chocolates (1971) é dever dos apreciadores do cinema conhecer mais da sua filmografia.

No entanto, é sobre o Wonka de Wilder que escrevo. Uma das grandes comédias da história é também uma das memórias afetivas mais preciosas da minha infância. Todos temos filmes que marcam nosso primeiro contato com a arte cinematográfica e suas raízes são carregadas para toda a vida. Assim é a atuação de Wilder: o diretor Mel Stuart cria um clima tão fascinante no primeiro ato do filme que qualquer um tem desejo de obter um bilhete dourado. E retratando as intempéries que a população mundial levou para buscar e conseguir os cupons, além da simplicidade e pureza do garoto Charlie, quando chega o derradeiro momento da abertura dos portões da fábrica este clímax da importância das indústrias Wonka (e, certamente do seu fundador) para o mundo é o momento perfeito para o grande astro Gene Wilder aparecer. Eis que surge um Willy Wonka cansado, mancando e de expressão sofrida e aí, bom….O resto é história e 9 entre 10 pessoas conhecem.

Desde então, o magnetismo do ator nos conduz àquela fascinante jornada que entre alegorias e rios de chocolate aborda temas adultos como a honestidade e a arrogância.

A cena, das mais belas, que descrevi acima, você vê no vídeo abaixo 😉