Os melhores filmes do ano de 2014 – a lista

O ano do cinema foi, nem mais, nem menos, uma escalada da indústria hollywoodiana na consumação dos seus velhos hábitos de financiar filmes para arrecadar milhões de dólares sem se preocupar necessariamente com a técnica e conteúdo empregados. E, por isso, se olharmos apenas filmes indicados ao Oscar veremos filmes de maior apelo técnico na categoria de filme “estrangeiro” e não nas demais.

Além disso, o modelo atual da indústria cinematográfica privilegia tanto protagonistas masculinos que vemos, nas indicações de prêmios, Julianne Moore perto de ganhar seu primeiro Oscar mais pela carreira do que pela atuação de Para Sempre Alice. Seu trabalho nesse filme está bem longe de grandes atuações nas últimas décadas, como em Boogie Nights ou As Horas.

Mesmo assim, sob esse contexto, surgem produções independentes que se agigantam e surgem como o mais próximo de obras-primas contemporâneas, como Boyhood ou Leviathan e é nesse embalo que conseguimos eleger os melhores filmes do ano, na humilde visão desse escritor.

TOP #5 (com 6) de 2014 :

1 – Boyhood, de Richard Linklater

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2 – Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

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3 – O Homem mais procurado, de Anton Corbijn

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4 – Foxcatcher, de Benett Miller

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5 – Ninfomaníaca (I e II), de Lars Von Trier

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5 – O Abutre, de Dan Gilroy

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– Os bons filmes do ano: A imigrante, O Ano mais Violento, Lucy, Lego Movie, Sob a Pele, Guardiões da Galáxia, Vício Inerente, Whiplash, Corações de ferro, Dois dias, uma noite, Garota Exemplar, Tangerines, Birdman, Conto da Princesa Kaguya, Festa no céu, Força Maior, Leviatã, Relatos Selvagens.

– E, se eu fosse um dos votantes dos prêmios, meus votos/indicados seriam:

  • Melhor filme: Boyhood
  • Pior Filme do Ano: Sin City 2
  • Melhor diretor: Richard Linklater (Boyhood)
  • Melhor roteiro: Dois dias, uma noite
  • Melhor ator: Jake Gyllehaal, em O Abutre
  • Melhor atriz: Marion Cottilard em Dois Dias, Uma noite
  • Melhor ator coadjuvante: Mark Ruffalo em Foxcatcher
  • Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette em Boyhood
  • Melhor elenco em obra cinematográfica:  Foxcatcher
  • Melhor fotografia: Leviatã
  • Melhor animação:  Festa no Ceú
  • Melhores efeitos especiais: Interestelar
  • Filmes Mais Superestimados: Sniper Americano

Não contavam com a astúcia dele

Pra ser sincero, que ano triste tem se mostrado esse 2014. Ano em que sofri a perda de amigos próximos e pessoas tão admiráveis que, mesmo sem ter conhecido pessoalmente, me sentia próximo. E uma delas foi Roberto Gomez Bolaños, o Chaves. O Chapolin. O doutor Chapatin.

Se por um lado o jeito Silvio Santos de comandar o SBT sempre inibiu credibilidade do canal, com tantas mudanças na grade dos programas, por outro lado foi esse mesmo comportamento que fez uma, duas, três (quatro ?) gerações acompanharem Chaves e as demais esquetes do comediante a exaustão numa era pré-internet, Youtube e Netflix.

Muitos teorizam por que Chaves e Chapolin alcançaram tamanho sucesso no país e entre os tantos argumentos considero os mais assertivos os seguintes:

1 – A dublagem: talvez o mais importante; do que adianta um roteiro e atores de primeira se o que chega na TV aberta tem vozes que destoam. Chaves sempre foi excelência nisso com as risadas do Quico ou a malandragem do Seu Madruga carregada nos trejeitos e voz.

2 – A simplicidade: marca registrada da série, Chaves e Chapolin sempre trouxeram piadas simples, às vezes com profundidade maior que teses filosóficas (nesse ponto se assemelha muito a Família Dinossauro). Por isso, rir várias e várias vezes, anos a fio, com o mesmo diálogo sempre foi possível. Seja criança, seja adulto.

3 – A empatia com o público: criadas na década de 70 os roteiros das séries sempre brincaram ironicamente com situação de terceiro mundo da América Latina. Os personagens sempre foram claros: o devedor, o menino de rua e o herói fraco, burro mas muito corajoso (Chapolin) serviram para aproximar o público do contexto. Se admiramos Batmans e Supermans num universo e aura de superioridade improvável é com a Turma da Vila que nos identificamos e, por isso, rimos.

4 – *Cultura, sem fronteiras: Embora siga os preceitos do item anterior, vale menção especial. Chaves e Chapolin trouxeram histórias e temas que quando criança não compreendíamos (talvez até hoje, não). Foi só depois de vários anos que compreendi que ao assistir os episódios apreendia sobre as navegações de Cristovão Colombo, a descoberta da América, os clássicos de Hollywood como Dançando na Chuva ou a clássica obra ‘Fausto’ do escritor alemão Goethe (o chirrin-chirrion do Diabo).

 

A morte de Bolaños gerou tanta repercussão que foi inevitável pensar e escolher o melhor episódio de Chaves. A viagem a Acupulco certamente foi o mais emblemático por ser o mais diferente, mas o melhor, mais afinado nas piadas e atuações e meu favorito é esse do vídeo abaixo (menções honrosas para o Julgamento do Chaves e àquele que os móveis do Seu Madruga vão para o meio da vila):

E aí, qual o seu favorito ?

Para concluir: se iniciei o post falando do ano triste, sejamos honestos: são em infortúnios que refletimos e paramos para agradecer o que temos. Sobre este cidadão mexicano, fica o legado e o muito obrigado pelos (vários) momentos felizes proporcionados.

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Listas dos melhores filmes e as perspectivas de 2013

Pra ser sincero, tem novidade no blog. A partir de hoje, você pode conferir em uma seção especial do blog – no painel à esquerda – as Listas – Melhores Filmes, que compila listas de 2009 a 2012 dos melhores filmes de cada ano.

E, falando em filmes, a corrida pelos prêmios na temporada 2013/2014 entra em sua fase decisiva. É nesta época (dezembro/janeiro/fevereiro) onde são lançados a maior parte dos filmes que disputam os prêmio da crítica cinematográfica. Neste ano de 2013 já é possível apontar os principais concorrente nas categoria ‘Melhor Filme’. Abaixo, cito os principais, com seus respectivos trailers:

Gravidade, de Alfonso Cuáron – filme que já teve sua estreia nos cinemas mundiais e aborda a solidão e compaixão que uma relação de vida e morte no espaço (astronautas como protagonistas, retomando o gênero que parecia em descrédito).

Capitão Phillips, de Paul Greengrass – filme da história real de um capitão de navio norte-americano sequestrado por piratas da Somália em 2008.

12 anos de escravidão, de Steve McQueen – a incrível história de sobrevivência de um escravo nos EUA pré-guerra civil, onde a cor da pele era indicativo de estado social.

O lobo de Wall Street, de Martin Scorsese – Scorsese retorna ao tema que gosta (impérios de poder construídos numa sociedade frágil, nesse cado o da bolsa de valores) e conta novamente com Leonardo DiCaprio, que também briga pelos prêmios de atuação.

Trapaça (American Hustle), de David O. Russell – o diretor que mais vem emplacando sucessos de crítica e público (O Lado Bom da Vida e O Vencedor, nos anos anteriores) traz uma seleção de elenco espetacular para contar história de crimes e da Máfia (até parece filme do Scorsese, mas não é).