Manchester à Beira Mar (2016) – o poder da imperfeição

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Enquanto tantos filmes procuram nos convencer da sua qualidade através de uma trama “redonda”, sem espaço para divagações, com todas as ações se desdobrando em outras num fluxo de perfeição cinematográfica, Manchester à Beira Mar (2016, Manchester By The Sea) vai – com o perdão do trocadilho – contra a maré.

Não é a grande atuação de Casey Affleck (indicado e favorito, com certa justiça, ao prêmio de Melhor Ator no Oscar) como protagonista nem a de Lucas Hedges que são o principal triunfo do filme. É a sua imperfeição – habilmente desenvolvida por Kenneth Lonergan, o diretor. A imperfeição é onipresente em todo o filme: nos diálogos que se encerram com ideias abertas, no clima de inconveniência nas conversas, na falta de solução aos problemas mundanos e burocráticos e na incapacidade de superar traumas passados. Pois isto tudo é a vida humana em uma condição mais próxima à realidade, longe de idealismos, a virtude deste que é, indiscutivelmente, um dos melhores filmes do ano.

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