A Conversação (1974)

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Se há 10 anos vivíamos a situação de não conseguir ver o filme desejado pelo fato dele já ter sido retirado na locadora de fitas VHS ou DVDs e assim, vinham outros lançamentos e a gente esquecia daquele filme. Até que um dia lá estava ele, disponível na prateleira da locadora, e mesma sem aquela vontade de outrora você decide ver o filme e percebe que é um dos melhores filmes que você viu num longo período.

Hoje, na era digital, dos downloads (legais ou piratas) essa situação ainda ocorre, mas não mais pela falta disponibilidade e sim pela grande quantidade de filmes disponíveis! Assim foi com A Conversação, filme do diretor Francis Ford Coppola (de Poderoso Chefão e Apocalipse Now), que por muitas vezes negligenciei no catálogo do Netflix e, somente nesta semana, descobri com fascínio a obra-prima que é.

O filme capta a época da inserção da tecnologia nos serviços de vigilância e escuta e traz no seu protagonista (Gene Hackman, impecável) um profissional atormentado por gravar conversa de um casal que indica que vai ocorrer um assassinato. Com uma excelente fotografia de uma San Francisco no seu auge na década de 70, Coppola sutilmente vai inserindo na trama todas as implicações que a conversa gravada podem despertar, finalizando num grande clímax, revelador e surpreendente.

E você, possui uma história semelhante, de um filme que assistiu por acaso e se revelou excelente?

Nota: 5/5

O que é arte ?

Se a resposta pode ser complexa, fácil ė perceber que ela se “esconde” nos lugares mais improváveis, como, por exemplo, na peculiar combinação entre uma música velha do Elton John na voz de uma cantora que ainda não mostrou a que veio para um comercial da KFC dos frangos fritos, que é, sem dúvida, um dos comerciais mais bonitos desta década.

https://vimeo.com/26433157

Divertidamente: somos o que QUEREMOS ser

 

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Uma das maiores vantagens do ser humano para qualquer outra criatura (máquina ou animal) é a capacidade de analisar porque agimos do jeito que agimos e, mais do que isso, dar “um passo para fora” da ação e entender, analisar e criticar as emoções e motivações daquele instante. Mesmo que muitas vezes não exercitamos esse “dom”, é fantástico ser capaz de constantemente nos analisarmos, tudo isso com a vida acontecendo, sem modo stand by.

Esta conclusão poderosa que a filosofia a séculos estuda e a psicologia explora são os pontos fundamentais para considerar a nova animação da Pixar, Divertidamente (Inside Out, 2015), não só um dos melhores filmes do ano, mas uma obra-prima, especialmente sob a visão ideológica.

Depois de investidas sem muito brilho nos últimos anos (Brave, Carros 2, Monstros SA 2), a Pixar se reencontra com a genialidade vista na saga Toy Story, Wall-E e Ratatouille, entregando um resultado em Divertidamente que agrada crianças como uma animação  olha o trocadilho divertida e dá uma aula de psicologia aos adultos.

No filme, Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva são os protagonistas (além de sentimentos) e nos lembram a necessidade e importância da pluralidade de sentimentos, a origem deles através lembranças e o poder delas para governar o futuro de cada um. O filme termina e, se você se entregou a história, o custo de ingresso no cinema acaba de economizar algumas horas de psicanálise e, quem sabe, faça você enxergar suas (e nossas) ações de modo mais crítico ou diferente.

That’s the Real Thing: uma Coca Cola e o fim de Mad Men

 

 

Mad Men, a série que acompanhou toda a década de 60 na visão do mundo da publicidade  dos EUA (NY, particularmente) chegou ao fim de uma forma – positivamente surpreendente. Enquanto muitos apostavam na morte de Don (que seria premeditada pelo homem que cai dos arranha-céus na sequência de abertura), Matthew Weiner inova e instiga mais uma vez.

Assim como nos Sopranos e seu mítico final, Weiner, um dos produtores e roteiristas daquela série, traz a Mad Men a mesma inquietação na cena final que grava a série como um todo nas nossas mentes devido a 3 fatores:

1 – primeiro a estranheza: se em Sopranos foi uma tela preta que não sabíamos se era problema da transmissão ou não, em Mad Men  o comercial da Coca(do vídeo acima) gerou uma dúvida inicial – “qual a intenção disso?”

2 – ambiguidade: com um pouco mais decalma surge a dúvida que será eterna: toda a fuga e o retiro espiritual de Don resultou na volta dele para a publicidade para criar a campanha publicitária da Coca (que é, de fato daquela época, em 1971 e é considerada a maior obra publicitária do refrigerante da história) ou isso é só especulação e ele continuou seu caminho de paz com os hippies? (Em Sopranos a dúvida era mais simples, um “morreu ou não?”)

3 – contexto da mensagem: para isso é bom lembrar do discurso do homem no retiro espiritual, que provoca o choro de Don: a sensação de passar despercebido pelo mundo e sua família e já não saber mais ao certo o que é o amor.  Encerrar a série com um ícone do capitalismo nos remete e esse paradigma da publicidade: embora possa conter algumas verdades, é somente um negócio. Que engana os sentimentos e vontades do ser humano ao ponto de nos perdermos nas nossas certezas (algo que já se aplicava para aquele período e continua bem atual).

As luzes se apagam e a música termina: that’s the real thing ?

I’d like to teach the world to sing
In perfect harmony
I’d like to buy the world a Coke
And keep it company
That’s the real thing

Os melhores álbuns de 2015

Mais tradicional do que comer peru no Natal e lentilha no reveillon estão as listas de final de ano. Entre elas, as dos melhores álbuns, que um dia – na época do LP – chamamos de discos e com a evolução do streaming (Spotify, Apple Music, Deezer,…) quem sabe não serão chamados de de releases ou digitalizações. Já imaginou ?

Toda essa divagação, no entanto, não muda o modesto propósito desse post: elencar os 5 melhores lançamentos no mercado fonográfico em 2015 (ficou curioso dos anos anteriores? aqui as listas de 2014, 2013).

A lista desse ano tem os 5 melhores álbuns + 1 (e não, não tem o queridinho da imprensa e do Obama, Kendrick Lamar):

5. Sleater Kinney, “No cities to love”

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4. Kurt Vile, “b’lieve i’m goin down”

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3. Father John Misty, “I Love You, Honeybear”

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2.Blur, “The Magic Whip”

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1. Courtney Barnett,  “Sometimes I Sit and Think and Sometimes I just Sit”

Aquela sensação de algo novo, inovador e com qualidade que parece escassa nunca foi tão viva em 2015 quanto nesse disco. O melhor disco do ano e, numa análise extremamente breve e estereotipada, poderia dizer que é esse disco representa tudo que Malu Magalhães queria ser.

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*+1 – fora desse ranking mas com merecimento para ser escutado está Andrew Bird com seu “Echolocations: Canyon”, álbum em que o instrumentista cria sonoridade no seus violinos e piano que lembra Jhonny Greenwood (Radiohead) em seus trabalhos com o diretor Paul Thomas Anderson (Sangue Negro, O Mestre).

 

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Além desses 5 melhores álbuns ainda merecem palmas os lançamentos de New Order, Adele, Mumford and Sons, Ryley Walker, Joanna Newson e Florence + The Machine pelos excelentes trabalhos.

Os melhores filmes do ano de 2014 – a lista

O ano do cinema foi, nem mais, nem menos, uma escalada da indústria hollywoodiana na consumação dos seus velhos hábitos de financiar filmes para arrecadar milhões de dólares sem se preocupar necessariamente com a técnica e conteúdo empregados. E, por isso, se olharmos apenas filmes indicados ao Oscar veremos filmes de maior apelo técnico na categoria de filme “estrangeiro” e não nas demais.

Além disso, o modelo atual da indústria cinematográfica privilegia tanto protagonistas masculinos que vemos, nas indicações de prêmios, Julianne Moore perto de ganhar seu primeiro Oscar mais pela carreira do que pela atuação de Para Sempre Alice. Seu trabalho nesse filme está bem longe de grandes atuações nas últimas décadas, como em Boogie Nights ou As Horas.

Mesmo assim, sob esse contexto, surgem produções independentes que se agigantam e surgem como o mais próximo de obras-primas contemporâneas, como Boyhood ou Leviathan e é nesse embalo que conseguimos eleger os melhores filmes do ano, na humilde visão desse escritor.

TOP #5 (com 6) de 2014 :

1 – Boyhood, de Richard Linklater

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2 – Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

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3 – O Homem mais procurado, de Anton Corbijn

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4 – Foxcatcher, de Benett Miller

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5 – Ninfomaníaca (I e II), de Lars Von Trier

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5 – O Abutre, de Dan Gilroy

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– Os bons filmes do ano: A imigrante, O Ano mais Violento, Lucy, Lego Movie, Sob a Pele, Guardiões da Galáxia, Vício Inerente, Whiplash, Corações de ferro, Dois dias, uma noite, Garota Exemplar, Tangerines, Birdman, Conto da Princesa Kaguya, Festa no céu, Força Maior, Leviatã, Relatos Selvagens.

– E, se eu fosse um dos votantes dos prêmios, meus votos/indicados seriam:

  • Melhor filme: Boyhood
  • Pior Filme do Ano: Sin City 2
  • Melhor diretor: Richard Linklater (Boyhood)
  • Melhor roteiro: Dois dias, uma noite
  • Melhor ator: Jake Gyllehaal, em O Abutre
  • Melhor atriz: Marion Cottilard em Dois Dias, Uma noite
  • Melhor ator coadjuvante: Mark Ruffalo em Foxcatcher
  • Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette em Boyhood
  • Melhor elenco em obra cinematográfica:  Foxcatcher
  • Melhor fotografia: Leviatã
  • Melhor animação:  Festa no Ceú
  • Melhores efeitos especiais: Interestelar
  • Filmes Mais Superestimados: Sniper Americano

Os melhores discos de 2014 – A lista

Pra ser sincero, resumir um ano em 5 álbuns além de injusto é um grande exercício de análise. Mas eis que, em 2014, a tarefa foi cumprida. Constatando todos os discos ouvidos e o resultado dessa compilação, sobressaíram-se discos com vocais masculinos e bandas/compositores que ou se reinventaram ou são estreantes.

Além do top 5 que apresento na sequência, 2014 foi um ano bom; não excelente, mas bom para a música de qualidade fazendo com que títulos muito bons do Beck, FKA Twigs, Tune Yards, Afghan Wigs, entre outros, ficassem de fora da seleção. E a seleção dos 5 álbuns definitivos de 2014 é a tão complicada que teve empate na 5ª posição, resultando no #TOP 5 de 6 discos!

 

  1. Spoon – “They Want My Soul”

 

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  1. Mac De Marco – “Salad Days”

 

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  1. Future Islands – “Singles”

 

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  1. The War on drugs – “Lost in the dream”

Indispensável em qualquer lista de melhores do ano, o álbum do War on…. é vibrante e traz combinações de mixtapes eletrônicos de forma orgânica.

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  1. Damon Albarn – “Everyday robots”

A mesma voz que imortalizou o Gorillaz e o Blur, Damon Albarn embarca na jornada solo com essa pérola de contemplação em forma de rock.

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  1. Jack White – “Lazaretto”

Sem a preocupação excessive em criar singles (como no útimo álbum), White conta uma história em Lazaretto que passa por todas as suas influências do White Stripes, Raconteurs, Dead Weather. Um passeio pelo rock clássico e, ao mesmo tempo, inovador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não contavam com a astúcia dele

Pra ser sincero, que ano triste tem se mostrado esse 2014. Ano em que sofri a perda de amigos próximos e pessoas tão admiráveis que, mesmo sem ter conhecido pessoalmente, me sentia próximo. E uma delas foi Roberto Gomez Bolaños, o Chaves. O Chapolin. O doutor Chapatin.

Se por um lado o jeito Silvio Santos de comandar o SBT sempre inibiu credibilidade do canal, com tantas mudanças na grade dos programas, por outro lado foi esse mesmo comportamento que fez uma, duas, três (quatro ?) gerações acompanharem Chaves e as demais esquetes do comediante a exaustão numa era pré-internet, Youtube e Netflix.

Muitos teorizam por que Chaves e Chapolin alcançaram tamanho sucesso no país e entre os tantos argumentos considero os mais assertivos os seguintes:

1 – A dublagem: talvez o mais importante; do que adianta um roteiro e atores de primeira se o que chega na TV aberta tem vozes que destoam. Chaves sempre foi excelência nisso com as risadas do Quico ou a malandragem do Seu Madruga carregada nos trejeitos e voz.

2 – A simplicidade: marca registrada da série, Chaves e Chapolin sempre trouxeram piadas simples, às vezes com profundidade maior que teses filosóficas (nesse ponto se assemelha muito a Família Dinossauro). Por isso, rir várias e várias vezes, anos a fio, com o mesmo diálogo sempre foi possível. Seja criança, seja adulto.

3 – A empatia com o público: criadas na década de 70 os roteiros das séries sempre brincaram ironicamente com situação de terceiro mundo da América Latina. Os personagens sempre foram claros: o devedor, o menino de rua e o herói fraco, burro mas muito corajoso (Chapolin) serviram para aproximar o público do contexto. Se admiramos Batmans e Supermans num universo e aura de superioridade improvável é com a Turma da Vila que nos identificamos e, por isso, rimos.

4 – *Cultura, sem fronteiras: Embora siga os preceitos do item anterior, vale menção especial. Chaves e Chapolin trouxeram histórias e temas que quando criança não compreendíamos (talvez até hoje, não). Foi só depois de vários anos que compreendi que ao assistir os episódios apreendia sobre as navegações de Cristovão Colombo, a descoberta da América, os clássicos de Hollywood como Dançando na Chuva ou a clássica obra ‘Fausto’ do escritor alemão Goethe (o chirrin-chirrion do Diabo).

 

A morte de Bolaños gerou tanta repercussão que foi inevitável pensar e escolher o melhor episódio de Chaves. A viagem a Acupulco certamente foi o mais emblemático por ser o mais diferente, mas o melhor, mais afinado nas piadas e atuações e meu favorito é esse do vídeo abaixo (menções honrosas para o Julgamento do Chaves e àquele que os móveis do Seu Madruga vão para o meio da vila):

E aí, qual o seu favorito ?

Para concluir: se iniciei o post falando do ano triste, sejamos honestos: são em infortúnios que refletimos e paramos para agradecer o que temos. Sobre este cidadão mexicano, fica o legado e o muito obrigado pelos (vários) momentos felizes proporcionados.

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Os melhores filmes de 2013 – A lista

Pra ser sincero, dia de Oscar é também dia de retrospectiva dos filmes do ano. Desde a premiação do ano passado, da qual Argo fez história, centenas de filmes foram lançados no circuito mundial para apreciação do público e, especialmente, arrecadação aos cofres dos estúdios.

Embora a noite de hoje marque o embate, nas principais categorias (incluindo melhor filme e direção) entre o drama 12 anos de escravidão e a cult  ficção Gravidade, a temporada 2013/14 trouxe outras obras de igual (ou maior) prestígio. O meu palpite para os Oscars desse ano é o de que os dois favoritos se revezem nos principais prêmios, mas a minha lista de melhores do ano vai muito além.

Porém, se comparado aos anos anteriores, desde a safra que tivemos a disputa medíocre entre Quem quer ser um milionário  e O Curioso Caso de Benjamin Button, não tínhamos um ano tão fraco no ponto de vista cinematográfico. Para exemplificar a situação, neste ano não tivemos nenhuma animação de grande destaque (talvez o japonês Wind Rises, que não chegou ao Brasil ainda).

Abaixo a minha lista – a lista das listas:

 

TOP #5 de 2013

 

1 – Antes da Meia-Noite (Before Midnight), de Richard Linklater

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2 – Ela (Her), de Spike Jonze

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3 – Amor Bandido (Mud), de Jeff Nichols

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4 – Rush, de Ron Howard

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5 – Gravidade (Gravity), de Alfonso Cuarón

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– Menções honrosas (ou, “outros bons filmes do ano”):

Nebraska, 12 anos de escravidão, A Grande Beleza, Blue Jasmine, Star Trek: Além da Escuridão, The Spectacular Now, O ato de matar, O lobo de Wall Street, Capitão Philips, Jogos Vorazes: Em chamas, Short Term 12.

– Meus votos:

  • Melhor filme: Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
  • Pior Filme do Ano: Kick Ass 2
  • Melhor diretor: Spike Jonze, por Ela (Her)
  • Melhor roteiro:  Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
  • Melhor ator: Toni Servillo, por A Grande Beleza (La grande bellezza)
  • Melhor atriz: Cate Blanchet, por Blue Jasmine
  • Melhor ator coadjuvante: Jared Leto, por Dallas Buyers Club (Clube de Compras Dallas)
  • Melhor atriz coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão (12 years a slave)
  • Melhor elenco em obra cinematográfica:  12 Anos de Escravidão (12 years a slave)
  • Melhor fotografia: Amores Bandidos (Mud)
  • Melhor animação:  /nenhuma/
  • Melhores efeitos especiais: Gravidade
  • Filmes Mais Superestimados:  Trapaça (American Hustle), Os suspeitos (Prisoners).

– Filmes de 2013 com grande potencial mas que eu não assisti (ou, “o mea culpa”):

Asas ao vento (Wind Rises), Blackfish.