Aquarius (2016)

Aquarius (2016) é o segundo filme do anteriormente crítico de cinema e jornalista Kleber Mendonça Filho e, depois da grande obra O Som Ao Redor (2012) é inevitável não olhar os trabalhos do pernambucano com maior atenção.

Deixando de lado todo o viés político que o filme tomou no contexto do “impeachment” de Dilma Rousseff e a retaliação da não indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o filme surpreende ao ser menos virtuoso que O Som Ao Redor no engajamento de sua temática. No Som Ao Redor, através de impecável roteiro, design de produção, rimas fotográficas e efeitos sonoros o espectador é tomado para dentro da história, percebendo a verossimilhança do cotidiano de Recife com qualquer outra cidade do país, culminando com uma única e bela sensação de se sentir parte da rua/condomínio onde o filme tem sua história. Já em Aquarius, a história não é tão abrangente. Ao voltar-se a uma realidade mais específica (da especulação imobiliária) como mote da história, o filme perde considerável força do engajamento, mesmo que isso não seja um pré-requisito para um bom filme.

Mesmo assim, o modo simples e exemplar de retratar Recife e as personagens (destaque para as imagens do post), mostrando suas desigualdades sem sentimentalismo ainda está presente na direção de KMF e o roteiro escrito com simplicidade e, por vezes, na pressa é melhorado magnificamente por Sonia Braga, protagonista e grande acerto do filme. Mesclando uma dicção calma com uma postura firme, as suas falas são ditas numa naturalidade invejável, digna de um diálogo real muito longe de quaisquer câmeras. Uma das grandes atuações do ano em um bom filme que valoriza o cinema nacional.

O.J. Simpson – Made in America

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Dependendo da sua idade a simples citação do nome de O.J. Simpson pode trazer uma série de lembranças de manchetes de TV e jornais brasileiros e internacionais. Através dessa hipótese, O.J. – Made in America (2016), uma série documental da ESPN aborda em 5 episódios, totalizando 8 horas, a famigerada história norte americana do século XX: da ascensão ao declínio de uma das celebridades mais famosas no século passado, o jogador/superstar do futebol americano que foi comentarista de esportes, ator de Hollywood e empresário, O.J. Simpson.

Mesmo idealizada como uma série, a produção da ESPN vem figurando na maior parte das listas de melhores filmes do ano e é uma das favoritas a ganhar o Oscar de Melhor Documentário e, então inevitavelmente, questiona-se por que outras produções da ESPN (que seguem o mesmo formato) nunca foram reconhecidas de tal forma. No entanto, O.J. – Made in America é muito menos sobre O.J. que uma tradicional aventura biográfica pode sugerir e muito mais sobre o Made in America, particularmente sobre os Estados Unidos das décadas de 50 a 90.

Já no segundo episódio percebemos que a grande duração da obra será usada em prol de narrar o contexto social do país e de Los Angeles, das minorias e dos direitos civis. Assim, a personalidade de Orenthal James (ou, simplesmente, O.J.) é brilhantemente estudada frente a sua época e suas convicções políticas se tornam ainda mais assustadoras: O.J., mesmo negro, se omite de qualquer discussão sobre raça e sua fama e popularidade são em benefício próprio, para ganhar dinheiro e mais fama (seu principal combustível em toda a vida) desvinculando-se de lideranças dos direitos civis da época como Martin Luther King ou Muhammad Ali.

O carisma de O.J. persiste inabalável entre toda a população até 1994, quando sua ex esposa é assassinada e tudo indica que pelas mãos (literalmente) de O.J. Nasce daí a reta final da produção e um dos julgamentos em tribunais mais famosos da história. Num grande circo que durou cerca de 9 meses conhecemos uma vertente mais sórdida da justiça norte-americana, a da manipulação, do julgamento pela emoção e do preconceito (o julgamento em si é um estudo de caso melhor que qualquer série de ficção estilo Law and Order, por exemplo, pode roteirizar).

Neste momento toda a construção dos conflitos e tensões sociais e raciais apresentados funcionam como um recurso de pista-recompensa, isto é, a defesa dos advogados de O.J. se baseia numa hipotética perseguição racial dos brancos ao acusado e vai contextualizando, formando argumentação com a utilização todos exemplos anteriormente apresentados no documentário. É este o primeiro dos dois trunfos da série: todas as peças do quebra-cabeças são unidas para contar porque O.J. é uma personificação de um problema maior – séculos de violência e discriminação contra negros causaram danos a sociedade e o preconceito ainda está bem vivo. O.J., um ex astro e agora assassino, mesmo assim é idolatrado pelos negros pois representa uma oportunidade de “se vingar” dos brancos ao ser absolvido mesmo que injustamente. Além disso, ironicamente, são os negros (afinal, a maioria do júri é negra) que salvam O.J. da prisão, mesmo que ele sempre tenha negado a sua raça.

O segundo ponto principal da série é reforçar a importância que ser rico e famoso teve no desdobramento do julgamento de O.J. Em diversos momentos da série questiona-se se alguém de classe média ou não reconhecido publicamente conseguiria ser absolvido mesmo com todas as provas (DNA, inclusive) dizendo o oposto? A resposta é unânime: certamente não. Iria ser condenado.

Uma análise final nos leva a perceber que esses comportamentos em relação a exposição de pessoas na mídia e do preconceito racial nos dias atuais, não só persiste como se intensificou, por um lado pela oferta de anonimato fácil de grande alcance nas redes sociais e por outro pela degeneração econômica de muitas regiões (tanto dos EUA como do Brasil, para citar) que levou o mundo neste 2016 ao início de uma grande onda conservadora de Donald Trump’s espalhados por aí.

Por isso, O.J. – Made in America é um acerto no timming de sua realização neste fatídico ano de 2016 e, em última e definitiva análise, uma eloquente história de um país dividido pela cor da pele, mas unido pelo culto às celebridades.

Àquele que nos fez rir: Adeus a um gênio

Um gênio da atuação morreu hoje.

Gene Wilder morreu hoje.

Escrevo esse post com a sensação que deveria ter vindo antes, não apenas em homenagem póstuma ao grande ator norte-americano. A carreira de Wilder foi de grandes (sempre memoráveis) atuações. E, se hoje, ele é lembrado muito mais pelo seu Willy Wonka da Fantástica Fábrica de Chocolates (1971) é dever dos apreciadores do cinema conhecer mais da sua filmografia.

No entanto, é sobre o Wonka de Wilder que escrevo. Uma das grandes comédias da história é também uma das memórias afetivas mais preciosas da minha infância. Todos temos filmes que marcam nosso primeiro contato com a arte cinematográfica e suas raízes são carregadas para toda a vida. Assim é a atuação de Wilder: o diretor Mel Stuart cria um clima tão fascinante no primeiro ato do filme que qualquer um tem desejo de obter um bilhete dourado. E retratando as intempéries que a população mundial levou para buscar e conseguir os cupons, além da simplicidade e pureza do garoto Charlie, quando chega o derradeiro momento da abertura dos portões da fábrica este clímax da importância das indústrias Wonka (e, certamente do seu fundador) para o mundo é o momento perfeito para o grande astro Gene Wilder aparecer. Eis que surge um Willy Wonka cansado, mancando e de expressão sofrida e aí, bom….O resto é história e 9 entre 10 pessoas conhecem.

Desde então, o magnetismo do ator nos conduz àquela fascinante jornada que entre alegorias e rios de chocolate aborda temas adultos como a honestidade e a arrogância.

A cena, das mais belas, que descrevi acima, você vê no vídeo abaixo 😉

Os melhores filmes de 2015 – A lista

Como o Oscar ocorre no domingo próximo, encerro aqui o ano de 2015 – e não no dezembro passado, como 99% das pessoas, pois muitos filmes de 2015 só chegaram ao Brasil nestes primeiros meses do ano – neste “balanço” cinematográfico.

Se premiações de cinema fossem o espelho para classificar os melhores e não apenas a opinião de um grupo de “formadores de opinião”, eu começaria a me preocupar com o ano de 2015 e com minhas preferências cinematográficas. Dos últimos anos, certamente 2015 foi o ano em que minha lista de melhores destoou mais aos indicados de Oscar, Globos de Ouro e afins.

Dito isso, inegável que as temáticas que trazem as minorias raciais/de gênero/de sexo ao protagonismo foram um dos pontos recorrentes em grande parte da minha lista de melhores (a citar o protagonismo feminino em Mad Max, Acima das Nuvens, Cinco Graças; o protagonismo dos negros em Straight Outta Compton ou Creed e a diversidade sexual em Tangerine, por exemplo).

O segundo e vital ponto da minha lista é a consolidação da importância das animações como obras de alto teor filosófico e contemplativo. O topo da minha lista possui dois exemplares de filosofia da maior qualidade em forma de animação.

Para fechar o breve resumo do ano, é espantoso como tivemos muitas atuações geniais em papeis coadjuvantes (em especial para os atores que, em minha opinião, tem a categoria das premiações disputada em melhor nível), ao contrário e atuações principais que foram mais escassas de genialidade.

Antes da lista, propriamente dita, se eu fosse um dos votantes em premiações nesse ano, meus votos seriam assim:

  • Melhor filme: Divertidamente
  • Pior Filme do Ano: Sob o mesmo céu (Aloha)
  • Melhor diretor: George Miller (Mad Max)
  • Melhor roteiro: Creed – Nascido para Lutar
  • Melhor ator: Leonardo DiCaprio em O Regresso
  • Melhor atriz: Rooney Mara em Carol
  • Melhor ator coadjuvante: Idris Elba em Beasts of No Nation
  • Melhor atriz coadjuvante: Alicia Vikander em A Garota Dinamarquesa
  • Melhor fotografia: O Regresso
  • Melhor animação:  Divertidamente
  • Filmes Mais Superestimados: Sicario, Ex-Machina

A maior prova de um ano com qualidade inegável foi agrupar todos os meus favoritos em uma lista. Portanto, tomei a liberdade de elencar o meus 20 melhores na lista abaixo

20 – Tomorrowland – Um Lugar onde nada é impossível (Tomorrowland), de Brad Bird

19 – Homem Formiga (Ant Man), de Peyton Reed

18 – O Quarto de Jack (Room), de Lenny Abrahamson

17 – Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight), de Tom McCarthy

16 – Os Oito Odiados (The Hateful Eight), de Quentin Tarantino

15 – Anomalisa (Anomalisa), de Charlie Kaufman

14 – Cartel Land, de Matthew Heineman

13 – Creed: Nascido para Lutar (Creed), de Ryan Coogler

12 – Star Wars: O despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens), de JJ Abrams

11 – Tangerine, de Sean Baker

10 – O Menino e o Mundo, de Alê Abreu

9 – Cinco Graças (Mustang), de Deniz Gamze Ergüven

8 – Que Horas Ela Volta, de Ana Muylaert

7 – Straight Outta Compton – A história do N.W.A. (Straight Outta Compton), de F. Gary Grey

6 – Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria), de Olivier Assayas

O Top5:

 

5 – Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road), de George Miller

4 – O pequeno Quinquin (Li’l Quinquin), de Bruno Dumont

3 – Cobain: Montage of a Heck, de Brett Morgan

2 – World of Tomorrow, de Don Hertzfeldt

1 – Divertidamente (Inside Out), de Pete Docter

P’tit Quinquin (2014)

 

O filme (ou minesérie de 4 episódios, como preferirem) circulou nas listas dos melhores de 2014 em todos os cantos do mundo. A obra de Bruno Dumont traz uma realidade de uma zona rural contemporânea francesa: extremamente bucólica mas altamente absorvida em problemas xenofóbicos e crimes passionais.

Nesse contexto, sob a visão de um comandante de Polícia que chega para solucionar um misterioso assassinato (uma pessoa esquartejada encontrada dentro de uma vaca) conhecemos os principais habitantes do vilarejo e a todos é comum uma característica: são avessos a grandes explicações, cruciais para qualquer investigação policial. Assim, um caso difícil se torna impossível de ser resolvido.

Mas esta é só uma trama para unir os núcleos: os grandes momentos do filme estão nas pequenas situações cotidianas: da guria (10 ou 11 anos) pergunto ao namoradinho da mesma idade se “eu te satisfaço?” ou a dupla de padres transformando uma missa numa situação cômica e constrangedora.

Minha implicação, a única, está na caracterização extrema que o comandante da Polícia assume em alguns momentos, chegando a parecer uma situação onde o Inspetor Clauseou (Pantera Cor de Rosa) encontraria o Sargento Garcia (Zorro).

 

Nota: 5/5

A Conversação (1974)

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Se há 10 anos vivíamos a situação de não conseguir ver o filme desejado pelo fato dele já ter sido retirado na locadora de fitas VHS ou DVDs e assim, vinham outros lançamentos e a gente esquecia daquele filme. Até que um dia lá estava ele, disponível na prateleira da locadora, e mesma sem aquela vontade de outrora você decide ver o filme e percebe que é um dos melhores filmes que você viu num longo período.

Hoje, na era digital, dos downloads (legais ou piratas) essa situação ainda ocorre, mas não mais pela falta disponibilidade e sim pela grande quantidade de filmes disponíveis! Assim foi com A Conversação, filme do diretor Francis Ford Coppola (de Poderoso Chefão e Apocalipse Now), que por muitas vezes negligenciei no catálogo do Netflix e, somente nesta semana, descobri com fascínio a obra-prima que é.

O filme capta a época da inserção da tecnologia nos serviços de vigilância e escuta e traz no seu protagonista (Gene Hackman, impecável) um profissional atormentado por gravar conversa de um casal que indica que vai ocorrer um assassinato. Com uma excelente fotografia de uma San Francisco no seu auge na década de 70, Coppola sutilmente vai inserindo na trama todas as implicações que a conversa gravada podem despertar, finalizando num grande clímax, revelador e surpreendente.

E você, possui uma história semelhante, de um filme que assistiu por acaso e se revelou excelente?

Nota: 5/5

Divertidamente: somos o que QUEREMOS ser

 

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Uma das maiores vantagens do ser humano para qualquer outra criatura (máquina ou animal) é a capacidade de analisar porque agimos do jeito que agimos e, mais do que isso, dar “um passo para fora” da ação e entender, analisar e criticar as emoções e motivações daquele instante. Mesmo que muitas vezes não exercitamos esse “dom”, é fantástico ser capaz de constantemente nos analisarmos, tudo isso com a vida acontecendo, sem modo stand by.

Esta conclusão poderosa que a filosofia a séculos estuda e a psicologia explora são os pontos fundamentais para considerar a nova animação da Pixar, Divertidamente (Inside Out, 2015), não só um dos melhores filmes do ano, mas uma obra-prima, especialmente sob a visão ideológica.

Depois de investidas sem muito brilho nos últimos anos (Brave, Carros 2, Monstros SA 2), a Pixar se reencontra com a genialidade vista na saga Toy Story, Wall-E e Ratatouille, entregando um resultado em Divertidamente que agrada crianças como uma animação  olha o trocadilho divertida e dá uma aula de psicologia aos adultos.

No filme, Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva são os protagonistas (além de sentimentos) e nos lembram a necessidade e importância da pluralidade de sentimentos, a origem deles através lembranças e o poder delas para governar o futuro de cada um. O filme termina e, se você se entregou a história, o custo de ingresso no cinema acaba de economizar algumas horas de psicanálise e, quem sabe, faça você enxergar suas (e nossas) ações de modo mais crítico ou diferente.

Os melhores filmes do ano de 2014 – a lista

O ano do cinema foi, nem mais, nem menos, uma escalada da indústria hollywoodiana na consumação dos seus velhos hábitos de financiar filmes para arrecadar milhões de dólares sem se preocupar necessariamente com a técnica e conteúdo empregados. E, por isso, se olharmos apenas filmes indicados ao Oscar veremos filmes de maior apelo técnico na categoria de filme “estrangeiro” e não nas demais.

Além disso, o modelo atual da indústria cinematográfica privilegia tanto protagonistas masculinos que vemos, nas indicações de prêmios, Julianne Moore perto de ganhar seu primeiro Oscar mais pela carreira do que pela atuação de Para Sempre Alice. Seu trabalho nesse filme está bem longe de grandes atuações nas últimas décadas, como em Boogie Nights ou As Horas.

Mesmo assim, sob esse contexto, surgem produções independentes que se agigantam e surgem como o mais próximo de obras-primas contemporâneas, como Boyhood ou Leviathan e é nesse embalo que conseguimos eleger os melhores filmes do ano, na humilde visão desse escritor.

TOP #5 (com 6) de 2014 :

1 – Boyhood, de Richard Linklater

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2 – Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

2

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3 – O Homem mais procurado, de Anton Corbijn

3

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4 – Foxcatcher, de Benett Miller

4

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5 – Ninfomaníaca (I e II), de Lars Von Trier

5

5 – O Abutre, de Dan Gilroy

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– Os bons filmes do ano: A imigrante, O Ano mais Violento, Lucy, Lego Movie, Sob a Pele, Guardiões da Galáxia, Vício Inerente, Whiplash, Corações de ferro, Dois dias, uma noite, Garota Exemplar, Tangerines, Birdman, Conto da Princesa Kaguya, Festa no céu, Força Maior, Leviatã, Relatos Selvagens.

– E, se eu fosse um dos votantes dos prêmios, meus votos/indicados seriam:

  • Melhor filme: Boyhood
  • Pior Filme do Ano: Sin City 2
  • Melhor diretor: Richard Linklater (Boyhood)
  • Melhor roteiro: Dois dias, uma noite
  • Melhor ator: Jake Gyllehaal, em O Abutre
  • Melhor atriz: Marion Cottilard em Dois Dias, Uma noite
  • Melhor ator coadjuvante: Mark Ruffalo em Foxcatcher
  • Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette em Boyhood
  • Melhor elenco em obra cinematográfica:  Foxcatcher
  • Melhor fotografia: Leviatã
  • Melhor animação:  Festa no Ceú
  • Melhores efeitos especiais: Interestelar
  • Filmes Mais Superestimados: Sniper Americano

Não contavam com a astúcia dele

Pra ser sincero, que ano triste tem se mostrado esse 2014. Ano em que sofri a perda de amigos próximos e pessoas tão admiráveis que, mesmo sem ter conhecido pessoalmente, me sentia próximo. E uma delas foi Roberto Gomez Bolaños, o Chaves. O Chapolin. O doutor Chapatin.

Se por um lado o jeito Silvio Santos de comandar o SBT sempre inibiu credibilidade do canal, com tantas mudanças na grade dos programas, por outro lado foi esse mesmo comportamento que fez uma, duas, três (quatro ?) gerações acompanharem Chaves e as demais esquetes do comediante a exaustão numa era pré-internet, Youtube e Netflix.

Muitos teorizam por que Chaves e Chapolin alcançaram tamanho sucesso no país e entre os tantos argumentos considero os mais assertivos os seguintes:

1 – A dublagem: talvez o mais importante; do que adianta um roteiro e atores de primeira se o que chega na TV aberta tem vozes que destoam. Chaves sempre foi excelência nisso com as risadas do Quico ou a malandragem do Seu Madruga carregada nos trejeitos e voz.

2 – A simplicidade: marca registrada da série, Chaves e Chapolin sempre trouxeram piadas simples, às vezes com profundidade maior que teses filosóficas (nesse ponto se assemelha muito a Família Dinossauro). Por isso, rir várias e várias vezes, anos a fio, com o mesmo diálogo sempre foi possível. Seja criança, seja adulto.

3 – A empatia com o público: criadas na década de 70 os roteiros das séries sempre brincaram ironicamente com situação de terceiro mundo da América Latina. Os personagens sempre foram claros: o devedor, o menino de rua e o herói fraco, burro mas muito corajoso (Chapolin) serviram para aproximar o público do contexto. Se admiramos Batmans e Supermans num universo e aura de superioridade improvável é com a Turma da Vila que nos identificamos e, por isso, rimos.

4 – *Cultura, sem fronteiras: Embora siga os preceitos do item anterior, vale menção especial. Chaves e Chapolin trouxeram histórias e temas que quando criança não compreendíamos (talvez até hoje, não). Foi só depois de vários anos que compreendi que ao assistir os episódios apreendia sobre as navegações de Cristovão Colombo, a descoberta da América, os clássicos de Hollywood como Dançando na Chuva ou a clássica obra ‘Fausto’ do escritor alemão Goethe (o chirrin-chirrion do Diabo).

 

A morte de Bolaños gerou tanta repercussão que foi inevitável pensar e escolher o melhor episódio de Chaves. A viagem a Acupulco certamente foi o mais emblemático por ser o mais diferente, mas o melhor, mais afinado nas piadas e atuações e meu favorito é esse do vídeo abaixo (menções honrosas para o Julgamento do Chaves e àquele que os móveis do Seu Madruga vão para o meio da vila):

E aí, qual o seu favorito ?

Para concluir: se iniciei o post falando do ano triste, sejamos honestos: são em infortúnios que refletimos e paramos para agradecer o que temos. Sobre este cidadão mexicano, fica o legado e o muito obrigado pelos (vários) momentos felizes proporcionados.

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Listas dos melhores filmes e as perspectivas de 2013

Pra ser sincero, tem novidade no blog. A partir de hoje, você pode conferir em uma seção especial do blog – no painel à esquerda – as Listas – Melhores Filmes, que compila listas de 2009 a 2012 dos melhores filmes de cada ano.

E, falando em filmes, a corrida pelos prêmios na temporada 2013/2014 entra em sua fase decisiva. É nesta época (dezembro/janeiro/fevereiro) onde são lançados a maior parte dos filmes que disputam os prêmio da crítica cinematográfica. Neste ano de 2013 já é possível apontar os principais concorrente nas categoria ‘Melhor Filme’. Abaixo, cito os principais, com seus respectivos trailers:

Gravidade, de Alfonso Cuáron – filme que já teve sua estreia nos cinemas mundiais e aborda a solidão e compaixão que uma relação de vida e morte no espaço (astronautas como protagonistas, retomando o gênero que parecia em descrédito).

Capitão Phillips, de Paul Greengrass – filme da história real de um capitão de navio norte-americano sequestrado por piratas da Somália em 2008.

12 anos de escravidão, de Steve McQueen – a incrível história de sobrevivência de um escravo nos EUA pré-guerra civil, onde a cor da pele era indicativo de estado social.

O lobo de Wall Street, de Martin Scorsese – Scorsese retorna ao tema que gosta (impérios de poder construídos numa sociedade frágil, nesse cado o da bolsa de valores) e conta novamente com Leonardo DiCaprio, que também briga pelos prêmios de atuação.

Trapaça (American Hustle), de David O. Russell – o diretor que mais vem emplacando sucessos de crítica e público (O Lado Bom da Vida e O Vencedor, nos anos anteriores) traz uma seleção de elenco espetacular para contar história de crimes e da Máfia (até parece filme do Scorsese, mas não é).